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title: "Ativo Financeiro 2026: tipos e classificação CPC 48"
url: https://mercadoecredito.com.br/artigo/ativo-financeiro-2026-o-que-e-tipos-classificacao-cpc-48
editoria: Economia e crédito
publicado: 2026-05-06
atualizado: 2026-05-07
publicador: Mercado & Crédito (https://mercadoecredito.com.br)
licenca: citação livre com link para a fonte
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# Ativo Financeiro 2026: tipos e classificação CPC 48

Ativo financeiro é qualquer item que confira a uma entidade direito contratual de receber caixa ou outro ativo financeiro de outra entidade, instrumento patrimonial de outra entidade ou contrato derivativo.

**Ativo financeiro é qualquer item que confira a uma entidade direito contratual de receber caixa ou outro ativo financeiro de outra entidade**, instrumento patrimonial de outra entidade ou contrato derivativo. É a definição literal do **CPC 48 — Instrumentos Financeiros** (correlato ao **IFRS 9**), em vigor obrigatório no Brasil desde 2018. Sob essa norma, todo ativo financeiro precisa ser **classificado em uma de três categorias de mensuração** (custo amortizado, valor justo por meio do resultado, ou valor justo por meio de outros resultados abrangentes), submetido a teste de **perda esperada de crédito (ECL)** e tratado contabilmente segundo a regra de **derecognition** quando cedido.

Este guia atravessa, com profundidade técnica e exemplos numéricos, a definição completa, os principais tipos de ativos financeiros no Brasil em 2026, a classificação sob CPC 48 / IFRS 9 (incluindo o teste SPPI e o modelo de negócio), a hierarquia de valor justo (CPC 46 / IFRS 13), o tratamento contábil de cessão e impairment, a tributação (PJ no Lucro Real, PF sob a Lei 14.754/23) e três casos práticos reais brasileiros.

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## O que é ativo financeiro — definição CPC 48 / IFRS 9

A **Resolução CFC NBC TG 48 — Instrumentos Financeiros** (correlata ao IFRS 9) define ativo financeiro como qualquer ativo que seja:

1. **Caixa**;
2. **Instrumento patrimonial de outra entidade** (ex.: ações, cotas de capital);
3. **Direito contratual** de:

  - receber caixa ou outro ativo financeiro de outra entidade; ou
  - trocar ativos ou passivos financeiros com outra entidade em condições potencialmente favoráveis.

4. Determinados **contratos liquidáveis em instrumentos patrimoniais** próprios da entidade (com restrições específicas).

Em linguagem prática, ativos financeiros incluem:

- Caixa em moeda nacional e estrangeira
- Recebíveis comerciais (NF, duplicata, contrato)
- Empréstimos concedidos
- Investimentos em renda fixa (CDB, LCI, LCA, debêntures)
- Investimentos em renda variável (ações)
- Cotas de fundos (FIDC, FIA, FII, FIM)
- Derivativos com posição ativa (swap, opção, futuro)

A norma rege também os **passivos financeiros** (contraparte) e o **patrimônio líquido emitido**, mas o foco aqui é ativo.

### Diferença entre ativo financeiro, instrumento financeiro e ativo intangível

| Conceito | Definição | Exemplo |
|---|---|---|
| **Instrumento financeiro** | Contrato que origina simultaneamente ativo financeiro para uma parte e passivo ou patrimônio para outra | NF a receber (ativo do credor; passivo do devedor) |
| **Ativo financeiro** | A "ponta ativa" do instrumento financeiro | NF na carteira do credor |
| **Ativo intangível** | Ativo identificável, não-monetário e sem substância física, regido por CPC 04 / IAS 38 | Software, marca, patente |

Ativo financeiro é monetário (representa direito a caixa); intangível, não. Por isso recebíveis e investimentos são ativos financeiros, e marcas/patentes não.

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## Tipos de ativos financeiros no Brasil em 2026

A classificação econômica abaixo cruza com a classificação contábil (próxima seção). Cada tipo recebe um tratamento de mensuração específico.

| Tipo | Exemplo brasileiro | Classificação contábil típica | Risco |
|---|---|---|---|
| **Caixa e equivalentes** | Conta corrente, CDB DI com liquidez diária, fundos DI | Custo amortizado / FVTPL | Muito baixo |
| **Contas a receber comerciais** | NFe, NFSe, duplicatas | **Custo amortizado** | Baixo a médio |
| **Empréstimos concedidos** | Mútuo entre coligadas, financiamentos | Custo amortizado | Médio |
| **Investimentos em renda fixa** | CDB, LCI, LCA, debêntures, Tesouro Direto | Custo amortizado / FVTOCI / FVTPL | Variável |
| **Cotas de FIDC** | Sênior, mezanino, subordinada | FVTPL ou FVTOCI conforme business model | Médio a alto |
| **Ações** | Negociadas em bolsa (B3) | FVTPL (trading) ou FVTOCI (estratégico) | Alto |
| **Derivativos com posição ativa** | Swap pré x DI, opção comprada, futuro | **FVTPL obrigatório** | Variável |
| **Recebíveis cedidos com retenção** | Operações com coobrigação parcial | Continua no balanço; passivo associado | Médio |

**Observação importante para 2026**: recebíveis comerciais — o caso típico de uma indústria, varejo ou prestador de serviços — entram quase sempre na categoria **custo amortizado**, com PCLD pelo modelo simplificado de ECL lifetime. É a base do tratamento contábil de antecipação de recebíveis.

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## Classificação CPC 48 / IFRS 9 — três categorias de mensuração

A norma define **três modelos de mensuração subsequente**. Para classificar um ativo, a entidade aplica dois testes em sequência:

1. **Teste do Modelo de Negócio**: como a entidade gerencia o ativo (recebe fluxos contratuais? vende? mistura?).
2. **Teste SPPI (Solely Payments of Principal and Interest)**: os fluxos de caixa contratuais são apenas pagamento de principal e juros sobre o saldo em aberto?

### Categoria 1 — Custo amortizado (Hold to Maturity / Hold to Collect)

**Aplica-se quando**:

- Modelo de negócio é "manter o ativo para receber fluxos contratuais"; **e**
- Ativo passa no teste SPPI.

**Mensuração**: valor de aquisição inicial ajustado pelo método da **taxa efetiva de juros**, líquido de amortizações de principal, com PCLD pelo modelo de ECL.

**Exemplos**:

- NF a receber (R$ 100k em 60 dias, taxa efetiva embutida)
- CDB pré-fixado mantido até o vencimento
- Debênture comprada com intenção de carregar até o vencimento
- Empréstimo concedido entre coligadas

### Categoria 2 — Valor justo por meio do resultado (FVTPL — Fair Value Through Profit or Loss)

**Aplica-se quando**:

- Ativo é mantido para **trading**; **ou**
- Modelo de negócio não se enquadra nas outras duas categorias; **ou**
- Ativo é derivativo (sempre FVTPL, salvo hedge accounting); **ou**
- Ativo falha no teste SPPI; **ou**
- Entidade designa voluntariamente para reduzir mismatch contábil.

**Mensuração**: valor justo a cada data-base; variação de valor justo registrada **diretamente no resultado** do exercício.

**Exemplos**:

- Ações compradas para revenda de curto prazo
- Cotas de FIDC subordinada com gestão ativa
- Derivativos não-hedge
- Bonds adquiridos para arbitragem

### Categoria 3 — Valor justo por meio de outros resultados abrangentes (FVTOCI — Fair Value Through OCI)

**Aplica-se em duas situações distintas**:

- **FVTOCI para dívida**: modelo de negócio é "obter fluxos contratuais E vender", ativo passa SPPI. Variação de valor justo vai para OCI; quando vendido, recicla para resultado.
- **FVTOCI para patrimônio**: designação irrevogável no reconhecimento inicial para investimentos patrimoniais não-trading. Variação fica em OCI permanentemente; nem dividendos vão para resultado (alguns sim, sob regras específicas).

**Exemplos**:

- Carteira de debêntures gerida com possibilidade de venda
- Investimento estratégico em participação minoritária (designado FVTOCI)
- Cotas de FIDC mezanino dependendo do business model
- Tesouro Direto NTN-B com possibilidade de venda antes do vencimento

### Tabela-resumo das três classificações

| Categoria | Quando aplica | Variação de valor | Onde registra | Reciclagem |
|---|---|---|---|---|
| **Custo amortizado** | Hold to collect + SPPI | Não tem (custo amortizado pela TIR) | — | — |
| **FVTPL** | Trading, derivativo, falha SPPI | Sim | Resultado | Não se aplica |
| **FVTOCI dívida** | Hold to collect & sell + SPPI | Sim | OCI | Sim, na venda |
| **FVTOCI patrimônio** | Designação irrevogável (não-trading) | Sim | OCI | Não recicla |

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## Hierarquia de valor justo (CPC 46 / IFRS 13)

Quando o ativo é mensurado a valor justo (FVTPL ou FVTOCI), o **CPC 46 — Mensuração do Valor Justo** (correlato ao IFRS 13) exige classificação em três níveis conforme a observabilidade dos inputs usados:

| Nível | Inputs | Exemplo brasileiro |
|---|---|---|
| **Nível 1** | Preços cotados em mercado ativo para ativos idênticos | Ação Petrobras (PETR4) na B3 |
| **Nível 2** | Inputs observáveis diretamente ou indiretamente, mas não preços diretos | Debênture com curva DI, swaps padronizados |
| **Nível 3** | Inputs não observáveis (modelagem interna, premissas de gestão) | Cota subordinada de FIDC fechado, participação privada |

A divulgação obrigatória nas notas explicativas inclui a movimentação de Nível 3 e a sensibilidade do valor justo a mudanças nos inputs não observáveis. Para entidades reguladas (FIDCs, securitizadoras), a hierarquia é fiscalizada pela CVM e pela ANBIMA.

**Implicação prática para FIDCs**: cotas seniores em mercado secundário ativo tendem a ser Nível 2; cotas subordinadas e mezaninos com baixa liquidez em geral são Nível 3 — exigindo modelagem de valor justo com premissas de PD, LGD e EAD da carteira de direitos creditórios.

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## Recebíveis como ativo financeiro — caso típico

Recebíveis comerciais (NFe, NFSe, duplicata, contrato) são, sob CPC 48, **ativos financeiros mensurados ao custo amortizado** na maioria dos casos. Critérios:

- **Modelo de negócio**: "manter para receber fluxos contratuais" (a empresa quer cobrar a NF, não revendê-la como atividade-fim).
- **Teste SPPI**: passa, porque o fluxo do recebível é pagamento do principal (valor de face) com eventual juros pré-pactuados.

**Tratamento**:

1. Reconhecimento inicial pelo valor justo (em geral, valor de face para prazos curtos; valor presente quando prazo é longo).
2. Mensuração subsequente pelo custo amortizado.
3. PCLD pelo modelo simplificado (ECL lifetime), normalmente via matriz de provisão por aging.
4. Em caso de cessão sem coobrigação, **derecognition**: ativo sai do balanço; entra caixa pelo líquido recebido; diferença é despesa financeira (deságio).

Para profundidade nos tipos e gestão dos recebíveis, ver o [guia de recebíveis 2026](https://antecipafacil.com.br/artigo/recebiveis-2026-o-que-sao-tipos-como-antecipar?utm_source=mercadoecredito&utm_medium=artigo&utm_campaign=ativo-financeiro-2026-o-que-e-tipos-classificacao-cpc-48). Para a estrutura jurídica da cessão, ver o [guia de direitos creditórios](https://antecipafacil.com.br/artigo/direitos-creditorios-2026-guia-completo-cessao-fidc?utm_source=mercadoecredito&utm_medium=artigo&utm_campaign=ativo-financeiro-2026-o-que-e-tipos-classificacao-cpc-48).

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## Cessão de ativos financeiros e derecognition

A regra do CPC 48 / IFRS 9 para baixa de ativo financeiro segue um teste em três etapas:

1. **Os direitos contratuais aos fluxos de caixa expiraram?** Se sim, derecognition imediato.
2. **A entidade transferiu os direitos contratuais aos fluxos?** Se sim, vai para etapa 3. Se não, mantém o ativo no balanço.
3. **Houve transferência de riscos e benefícios?**

  - Substancialmente todos os riscos e benefícios transferidos → **derecognition**.
  - Substancialmente todos retidos → **mantém no balanço** (e reconhece passivo de financiamento).
  - Algum meio-termo → teste de **continuing involvement**.

### Cessão sem coobrigação (pro soluto)

| Item | Tratamento |
|---|---|
| Recebível original | Sai do balanço (derecognition) |
| Caixa recebido | Entra pelo valor líquido |
| Diferença (deságio) | Despesa financeira no resultado |
| Risco residual | Nenhum (se cessão genuína sem regresso) |

Esse é o tratamento padrão da antecipação moderna em marketplace e da cessão típica a FIDC sob CVM 175. Detalhamento jurídico em cessão de crédito sem coobrigação.

### Cessão com coobrigação (regresso)

| Item | Tratamento |
|---|---|
| Recebível original | **Permanece** no balanço |
| Caixa recebido | Entra como contrapartida |
| Passivo associado | Reconhece passivo de financiamento pelo valor recebido |
| Custo financeiro | Apropriado ao longo do prazo (juros) |

Esse é o tratamento típico de operações de factoring tradicional com regresso ou de antecipação com aval do cedente.

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## Impairment de ativos financeiros — modelo ECL (Expected Credit Losses)

O CPC 48 / IFRS 9 substituiu o modelo de "perdas incorridas" do antigo CPC 38 / IAS 39 pelo **modelo de perdas esperadas**, mais conservador e prospectivo.

### Modelo geral em três estágios

| Estágio | Caracterização | Cálculo da provisão | Reconhecimento de juros |
|---|---|---|---|
| **Estágio 1** | Sem deterioração significativa do risco de crédito | ECL de 12 meses | Sobre saldo bruto |
| **Estágio 2** | Deterioração significativa, sem default | ECL lifetime | Sobre saldo bruto |
| **Estágio 3** | Default ocorrido (atraso > 90 dias, em geral) | ECL lifetime | Sobre saldo líquido (receita reduzida) |

Componentes do cálculo: **PD** (Probability of Default) × **LGD** (Loss Given Default) × **EAD** (Exposure at Default).

### Modelo simplificado (recebíveis comerciais e contas a receber de leasing)

Para recebíveis comerciais e ativos de contrato (CPC 47 / IFRS 15), a norma permite aplicar diretamente **ECL lifetime** sem migrar entre estágios. A prática comum é a **matriz de provisão por aging**:

| Faixa de atraso | % de provisão típico (varia por setor) |
|---|---|
| A vencer | 0,5% |
| 1–30 dias | 2% |
| 31–60 dias | 5% |
| 61–90 dias | 15% |
| 91–180 dias | 40% |
| > 180 dias | 70–100% |

Esses percentuais são calibrados com base no histórico da carteira da própria empresa, ajustados por informações forward-looking (cenário macroeconômico).

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## Tributação de ativos financeiros (PJ e PF)

### Pessoa Jurídica (PJ)

| Tributo | Regra geral | Observação |
|---|---|---|
| **IRPJ + CSLL** | Sobre ganho de capital ou variação de valor justo realizada, conforme regime tributário | Lucro Real: 15% IRPJ + 10% adicional + 9% CSLL = ~34% efetivo |
| **PIS/COFINS** | Sobre receita financeira: 4,65% (Lucro Real); regra cumulativa em geral cobrada | Variações de valor justo podem ou não compor base, conforme natureza |
| **IOF** | Sobre operações de câmbio, seguros, crédito e títulos e valores mobiliários | Antecipação de recebíveis: 0,38% fixo + 0,0082%/dia |
| **Imposto de Renda Retido na Fonte** | Sobre rendimentos de aplicações financeiras (CDB, LCI, fundos abertos) | Tabela regressiva 22,5% a 15% |

### Pessoa Física (PF) — Lei 14.754/23 ("come-cotas")

A Lei 14.754/23, em vigor desde 2024, alterou substancialmente a tributação de fundos exclusivos e fechados:

| Veículo | Tributação 2026 |
|---|---|
| **Fundo aberto não-imobiliário** | Come-cotas semestral (15% para fundos longos; 20% para curto prazo) + IR no resgate |
| **FIDC fechado** | **Come-cotas semestral** a 15% sobre rendimentos (mudança da Lei 14.754) |
| **FII / FIAGRO listados** | Isenção de IR sobre dividendos para PF cumprindo requisitos (tributação na alienação) |
| **Ações em bolsa** | 15% sobre ganho de capital; isenção até R$ 35k/mês alienados (limitada e revogada para 2024+ em parte) |
| **Tesouro Direto** | IR regressivo 22,5% a 15% |

**Implicação prática**: investidor PF em cota subordinada de FIDC fechado, que em 2023 era tributado apenas no resgate, hoje paga come-cotas semestral. Para detalhamento da estrutura FIDC sob CVM 175, ver o [guia da CVM 175](https://antecipafacil.com.br/artigo/cvm-175-fidc-implementacao-pratica-guia-2026?utm_source=mercadoecredito&utm_medium=artigo&utm_campaign=ativo-financeiro-2026-o-que-e-tipos-classificacao-cpc-48).

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## 3 casos práticos brasileiros

### Caso 1 — Indústria com R$ 10 milhões em recebíveis comerciais

**Cenário**: Indústria de embalagens em Itu (SP), faturamento R$ 80 milhões/ano, prazo médio de venda 60 dias, carteira de recebíveis R$ 13,3 milhões.

**Classificação CPC 48**:

- Categoria: **custo amortizado**.
- Modelo simplificado de ECL.
- Matriz de provisão por aging aplicada à carteira.

**PCLD calculada**:

| Faixa | Saldo (R$) | % provisão | Provisão (R$) |
|---|---|---|---|
| A vencer | 11.000.000 | 0,5% | 55.000 |
| 1–30 dias | 1.500.000 | 2,0% | 30.000 |
| 31–60 dias | 600.000 | 5,0% | 30.000 |
| 61–90 dias | 150.000 | 15,0% | 22.500 |
| > 90 dias | 50.000 | 70,0% | 35.000 |
| **Total** | **13.300.000** | **1,30%** | **172.500** |

PCLD final no balanço: **R$ 172.500** (1,3% da carteira). Saldo líquido: R$ 13.127.500.

### Caso 2 — Banco médio com carteira de empréstimos

**Cenário**: Banco múltiplo com carteira de R$ 5 bilhões em empréstimos PJ, classificada conforme estágio de risco.

**Classificação CPC 48**: custo amortizado. **ECL com modelo geral em três estágios**.

| Estágio | Saldo (R$ bi) | PD | LGD | ECL (R$ mi) | Estágio aplicado |
|---|---|---|---|---|---|
| Estágio 1 | 4,2 | 1,5% | 35% | 22 | ECL 12 meses |
| Estágio 2 | 0,6 | 8% | 40% | 19 | ECL lifetime |
| Estágio 3 | 0,2 | 100% | 50% | 100 | ECL lifetime + non-accrual |
| **Total** | **5,0** | — | — | **141** | — |

Provisão total: **R$ 141 milhões** (2,82% da carteira). Estágio 3 representa 71% da provisão com apenas 4% do saldo — confirma o efeito de não-acúmulo de receita e maior conservadorismo do modelo IFRS 9.

### Caso 3 — FIDC com cota subordinada

**Cenário**: Investidor PJ comprou cota subordinada de FIDC multicedente com valor de aquisição R$ 1 milhão.

**Classificação CPC 48**:

- Modelo de negócio: combina hold to collect e venda ocasional → **FVTOCI** seria possível, mas, por se tratar de cota com fluxos não puramente SPPI (quando há alavancagem na estrutura), tende a ser **FVTPL**.
- Avaliação: hierarquia de valor justo Nível 3 (modelagem interna, sem mercado ativo).

**Mensuração subsequente**: a cada data-base, valor justo recalculado por modelagem (Monte Carlo da carteira de direitos creditórios subjacente; sensibilidade a PD, LGD e prepayment). Variações vão direto para o resultado.

Tributação do investidor PJ: efeito do come-cotas (Lei 14.754) ou tributação no resgate, conforme estrutura do fundo. Detalhamento em [concentração de risco no FIDC](https://antecipafacil.com.br/artigo/concentracao-de-risco-sacado-fidc-como-medir-2026?utm_source=mercadoecredito&utm_medium=artigo&utm_campaign=ativo-financeiro-2026-o-que-e-tipos-classificacao-cpc-48).

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## Como otimizar a gestão de ativos financeiros

Para CFOs e tesoureiros, a gestão estratégica de ativos financeiros responde a três objetivos quase sempre conflitantes: liquidez, rentabilidade e segurança.

| Objetivo | KPI | Estratégia |
|---|---|---|
| **Liquidez** | Liquidez corrente, liquidez seca, ciclo financeiro | Antecipação de recebíveis, gestão ativa de DSO, linha de crédito stand-by |
| **Rentabilidade** | ROA, ROE, retorno da tesouraria | Diversificação de aplicações, hedge cambial, otimização tributária |
| **Segurança** | Volatilidade da carteira, VaR, cobertura | Diversificação de sacados, contraparte de qualidade, hedge accounting |

**Antecipação de recebíveis** é uma das alavancas mais usadas para otimizar liquidez sem assumir dívida no balanço. Em vez de tomar capital de giro a 4–6%/mês, a empresa pode ceder recebíveis com CET de 1,49–2,5%/mês e liberar caixa em D+1, reduzindo o ciclo financeiro e o custo total de capital. O detalhamento do mecanismo está no [guia mestre de antecipação de recebíveis](https://antecipafacil.com.br/artigo/antecipacao-de-recebiveis-2026-guia-mestre-completo?utm_source=mercadoecredito&utm_medium=artigo&utm_campaign=ativo-financeiro-2026-o-que-e-tipos-classificacao-cpc-48).

[Calcule sua taxa em 1 minuto →](https://antecipafacil.com.br/quero-antecipar?utm_source=mercadoecredito&utm_medium=artigo&utm_campaign=ativo-financeiro-2026-o-que-e-tipos-classificacao-cpc-48)

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## 12 perguntas mais frequentes sobre ativos financeiros

### 1. O que é ativo financeiro em poucas palavras?

É qualquer item que confira direito contratual de receber caixa ou outro ativo financeiro de outra entidade — caixa, recebíveis, empréstimos concedidos, investimentos em renda fixa e variável, derivativos, cotas de fundos. Definição literal do CPC 48 / IFRS 9.

### 2. Quais os tipos de ativos financeiros?

Caixa e equivalentes, contas a receber comerciais, empréstimos concedidos, investimentos (CDB, LCI, debêntures, ações, FIDCs), derivativos com posição ativa.

### 3. Qual a diferença entre custo amortizado e valor justo?

Custo amortizado: ativo fica registrado pelo valor inicial ajustado pela TIR, sem variação de valor justo no resultado. Valor justo: ativo é remarcado a mercado a cada data-base; variação vai para resultado (FVTPL) ou OCI (FVTOCI).

### 4. Como classifico um recebível comercial sob CPC 48?

Em geral, custo amortizado: modelo de negócio é "hold to collect" e o fluxo passa no teste SPPI. PCLD pelo modelo simplificado (ECL lifetime, matriz de aging).

### 5. O que é o teste SPPI?

Solely Payments of Principal and Interest. Verifica se os fluxos contratuais do ativo são apenas pagamento de principal e juros. Se houver alavancagem, vinculação a índices não-monetários ou cláusulas que mudam o fluxo, falha SPPI e o ativo cai em FVTPL.

### 6. O que é ECL (Expected Credit Losses)?

Modelo de perdas esperadas do IFRS 9 / CPC 48. Calcula provisão prospectiva com PD × LGD × EAD, em três estágios para o modelo geral ou diretamente lifetime no modelo simplificado para recebíveis comerciais.

### 7. O que é derecognition?

Baixa de um ativo financeiro do balanço. Ocorre quando os direitos contratuais aos fluxos expiram ou quando a entidade transfere substancialmente todos os riscos e benefícios — caso da cessão sem coobrigação.

### 8. Cessão sem coobrigação tira o recebível do balanço?

Sim. O ativo sai (derecognition), entra caixa pelo valor recebido, diferença é despesa financeira. É o tratamento padrão da antecipação moderna.

### 9. O que é hierarquia de valor justo?

Classificação em três níveis (CPC 46 / IFRS 13) conforme a observabilidade dos inputs: Nível 1 (preços cotados), Nível 2 (inputs observáveis indiretos), Nível 3 (inputs não observáveis, modelagem interna).

### 10. FIDC paga come-cotas em 2026?

Sim, FIDC fechado passou a pagar come-cotas semestral a 15% por força da Lei 14.754/23, em vigor desde 2024, alinhando com fundos abertos.

### 11. Como tributa ganho de PJ em ativo financeiro?

Lucro Real: ganhos compõem o lucro tributável (~34% efetivo IRPJ + CSLL); PIS/COFINS 4,65% sobre receita financeira. Lucro Presumido: presunção sobre receita conforme atividade.

### 12. Antecipação de recebíveis é considerada operação de ativo financeiro?

Sim. É uma cessão de ativo financeiro (recebível) com derecognition (sem coobrigação) ou com permanência e reconhecimento de passivo (com coobrigação). Tratamento contábil completo no [guia de recebíveis 2026](https://antecipafacil.com.br/artigo/recebiveis-2026-o-que-sao-tipos-como-antecipar?utm_source=mercadoecredito&utm_medium=artigo&utm_campaign=ativo-financeiro-2026-o-que-e-tipos-classificacao-cpc-48).

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## Termos técnicos (DefinedTerm)

- **Ativo financeiro**: caixa, instrumento patrimonial de outra entidade, direito contratual de receber caixa ou contrato derivativo, conforme definição do CPC 48.
- **CPC 48 / IFRS 9**: norma contábil que rege classificação, mensuração e baixa de instrumentos financeiros.
- **Custo amortizado**: método de mensuração que ajusta o valor de aquisição pela taxa efetiva de juros, sem reconhecimento de valor justo no resultado.
- **FVTPL (Fair Value Through Profit or Loss)**: mensuração a valor justo com variação reconhecida no resultado do exercício.
- **FVTOCI (Fair Value Through OCI)**: mensuração a valor justo com variação reconhecida em outros resultados abrangentes.
- **ECL (Expected Credit Losses)**: modelo prospectivo de provisão para perdas esperadas, em três estágios para o modelo geral.
- **Derecognition**: baixa de ativo financeiro do balanço quando os direitos contratuais expiram ou quando há transferência substancial de riscos e benefícios.
- **Hierarquia de valor justo**: classificação em três níveis (CPC 46) conforme observabilidade dos inputs de mensuração.

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Fonte: Mercado & Crédito — https://mercadoecredito.com.br/artigo/ativo-financeiro-2026-o-que-e-tipos-classificacao-cpc-48
