IndicadoresSelic 13,75% a.a. 09/10/2026CDI 13,65% a.a. 08/10/2026IPCA 12 meses 4,58% 01/09/2026Dólar R$ 4,99 09/10/2026Euro R$ 5,58 09/10/2026
Empréstimos

Empréstimo no carnê: como funciona, quem oferece e por que costuma custar mais

Pago por boleto ou carnê, ele não exige conta no banco nem desconto em folha, mas costuma ter juros mais altos. Veja como comparar e como conferir a instituição.

M&CPor Redação Mercado & Crédito
Mãos organizando documentos e recibos em uma mesa com um laptop

Conteúdo educativo. O Mercado & Crédito não oferece crédito nem cobra para liberar empréstimo: compare o custo efetivo total (CET) e contrate só pelos canais oficiais de cada instituição.

Neste guia
  1. Como funciona o empréstimo no carnê
  2. Quem oferece
  3. Por que os juros tendem a ser mais altos
  4. CET e total pago: os números que importam
  5. Como verificar se a instituição é confiável
  6. Golpes do falso empréstimo no carnê
  7. Quando vale evitar

Empréstimo no carnê é um crédito pessoal em que você paga as parcelas por boleto ou carnê, todo mês, sem desconto em folha e sem débito automático na conta. Costuma ser oferecido por financeiras, bancos e lojas que atuam como correspondentes, inclusive em canais online. A vantagem é a flexibilidade: não exige conta no banco que empresta nem vínculo com empregador ou INSS. A desvantagem é o preço: como não há garantia nem desconto automático, os juros tendem a ser mais altos que os de outras modalidades.

Como funciona o empréstimo no carnê

O roteiro é parecido com o de qualquer crédito pessoal:

  1. Pedido e análise. Você informa dados pessoais e de renda. A instituição consulta seu histórico de crédito e decide se aprova, quanto empresta e a que taxa.
  2. Proposta. Antes de assinar, a instituição deve apresentar o valor liberado, o número e o valor das parcelas, a taxa de juros e o Custo Efetivo Total (CET).
  3. Liberação. O dinheiro cai na sua conta, em geral por transferência ou Pix, em nome da instituição.
  4. Pagamento. Você recebe o carnê impresso ou os boletos digitais e paga uma parcela por mês, em qualquer banco, aplicativo ou lotérica.

A diferença em relação a outras modalidades está no último passo. No consignado, a parcela é descontada antes de o salário ou o benefício chegar. No débito em conta, o banco puxa o valor no vencimento. No carnê, o pagamento depende de você, todo mês. Para a instituição, isso significa mais risco de atraso; para você, significa mais controle, mas também mais responsabilidade.

Quem oferece

O empréstimo no carnê aparece em três tipos de lugar:

  • Financeiras, as sociedades de crédito, financiamento e investimento, que são instituições autorizadas pelo Banco Central e têm no crédito pessoal um dos principais produtos.
  • Bancos e plataformas digitais que oferecem crédito pessoal com pagamento por boleto como alternativa ao débito em conta.
  • Lojas e redes de varejo, que muitas vezes atuam como correspondentes de uma financeira. Nesse caso, quem concede o crédito é a instituição financeira, não a loja, e o nome dela deve aparecer no contrato.

Esta matéria não recomenda nenhuma empresa. O que importa é saber conferir qualquer uma delas, como mostrado mais abaixo.

Por que os juros tendem a ser mais altos

O preço de um empréstimo reflete o risco que a instituição corre de não receber. No empréstimo no carnê, três fatores elevam esse risco:

  • Sem garantia. Se a dívida não for paga, não há carro, imóvel ou salário vinculado para cobrir o prejuízo. Veja como os bancos avaliam o empréstimo sem garantia.
  • Sem desconto automático. O pagamento depende de o cliente lembrar e ter o dinheiro no vencimento.
  • Perfil de quem procura. Parte do público recorre ao carnê por não ter acesso a linhas mais baratas, como consignado ou crédito com garantia, o que a instituição precifica.

A tabela compara, em termos gerais, as modalidades mais comuns. Os juros de cada instituição variam e devem ser conferidos caso a caso.

ModalidadeComo pagaGarantiaJuros, em geral
ConsignadoDesconto na folha ou no benefícioA própria rendaMais baixos
Crédito com garantia de veículo ou imóvelDébito ou boletoO bemBaixos a intermediários
Crédito pessoal com débito em contaDébito automáticoNenhumaIntermediários a altos
Crédito pessoal no carnê ou boletoBoleto ou carnêNenhumaTendem a ser mais altos

Para ter uma referência concreta, a página de taxas de juros do Banco Central publica as taxas médias cobradas por cada instituição na modalidade de crédito pessoal não consignado. Vale comparar a taxa da proposta que você recebeu com essa lista.

CET e total pago: os números que importam

A taxa de juros sozinha não mostra o preço do empréstimo. O CET soma juros, IOF, tarifas e seguros e é o único número que permite comparar ofertas diferentes. Veja como ler o CET. Na prática, faça três contas antes de assinar:

  1. Total pago: multiplique o valor da parcela pelo número de parcelas.
  2. Custo do crédito: subtraia do total pago o valor que efetivamente cai na sua conta.
  3. Peso no orçamento: veja quanto da sua renda mensal a parcela vai ocupar, considerando as outras contas fixas.

Atenção às tarifas. O Superior Tribunal de Justiça já definiu (Súmula 565) que a Tarifa de Emissão de Carnê (TEC) e a Tarifa de Abertura de Crédito (TAC), ou cobranças com outro nome para o mesmo fato, só eram válidas em contratos anteriores a 30 de abril de 2008. Hoje, a cobrança por emitir o carnê não tem respaldo. A tarifa de cadastro é permitida, mas só no início do relacionamento com a instituição. Seguro prestamista é opcional e não pode ser imposto como condição para liberar o dinheiro.

Como verificar se a instituição é confiável

  • Autorização do Banco Central. Procure o nome e o CNPJ na consulta de instituições autorizadas do Banco Central. Se quem oferece é um correspondente, ele deve informar para qual instituição trabalha, e é essa instituição que precisa estar na lista. Veja o passo a passo para conferir o registro de uma financeira.
  • Contrato com o nome da instituição. O CNPJ no contrato, no boleto e na conta que envia o dinheiro deve ser o mesmo.
  • Beneficiário do boleto. Antes de pagar cada parcela, confira se o beneficiário mostrado no aplicativo do banco é a instituição credora.
  • Histórico de reclamações. Pesquise a empresa no consumidor.gov.br e veja como ela responde.
  • Canais oficiais. Prefira entrar em contato pelo site ou aplicativo oficial, digitado por você, em vez de links recebidos por mensagem.

Golpes do falso empréstimo no carnê

O carnê e o boleto são usados com frequência em golpes. Os padrões mais comuns:

  • Pagamento antecipado. A "financeira" aprova o crédito e pede um depósito para taxa, seguro, cadastro ou "primeira parcela" antes de liberar o dinheiro. Isso é golpe: instituição séria desconta custos do valor liberado ou os inclui nas parcelas, nunca cobra antes.
  • Promessa de aprovação garantida para negativados, sem análise. Nenhuma instituição séria promete isso.
  • Boleto adulterado. O código de barras é trocado, e o pagamento vai para outra conta. Confira sempre o beneficiário antes de confirmar.
  • Perfil falso em rede social ou aplicativo de mensagens usando nome e logotipo de empresa conhecida.

Se cair em um golpe, registre boletim de ocorrência, avise o seu banco imediatamente para tentar o bloqueio dos valores e, se o pagamento foi por Pix, peça a abertura do Mecanismo Especial de Devolução.

Quando vale evitar

O empréstimo no carnê pode resolver uma emergência pontual, mas fica perigoso quando é usado para pagar contas do dia a dia de forma recorrente ou para quitar outro empréstimo caro. Se as parcelas já tomam boa parte da renda e a conta não fecha, procure renegociar com os credores ou conheça os mecanismos da Lei do Superendividamento, que permite pedir um plano de pagamento preservando o mínimo para as despesas básicas.

Perguntas frequentes

O que é empréstimo no carnê?

É um crédito pessoal pago por carnê ou boleto, mês a mês, sem desconto em folha e sem débito automático. Pode ser contratado em financeiras, bancos, plataformas digitais e lojas que atuam como correspondentes.

Por que os juros do empréstimo no carnê são mais altos?

Porque não há garantia nem desconto automático, o que aumenta o risco de atraso para a instituição. Compare sempre o CET e o total pago com outras modalidades.

A financeira pode cobrar tarifa pela emissão do carnê?

Não em contratos atuais. Pela Súmula 565 do STJ, a Tarifa de Emissão de Carnê só era válida em contratos anteriores a 30 de abril de 2008. Se encontrar essa cobrança, questione a instituição e, se preciso, reclame no consumidor.gov.br ou no Procon.

Pediram um depósito para liberar o empréstimo. É normal?

Não. Pedido de pagamento antecipado para liberar crédito é golpe. Não faça o depósito e confira se a empresa é autorizada pelo Banco Central.

Como saber se a empresa do carnê é autorizada?

Procure o nome e o CNPJ na consulta de instituições do Banco Central. Se for um correspondente, ele deve informar a instituição para quem trabalha, e o CNPJ dela deve aparecer no contrato e nos boletos.

Fontes consultadas

Mais de Empréstimos

Ver tudo

Receba os guias do Mercado & Crédito

Uma vez por semana: juros, direitos, calendários e o que mudou no crédito. Sem spam.