Empréstimo no carnê: como funciona, quem oferece e por que costuma custar mais
Pago por boleto ou carnê, ele não exige conta no banco nem desconto em folha, mas costuma ter juros mais altos. Veja como comparar e como conferir a instituição.

Conteúdo educativo. O Mercado & Crédito não oferece crédito nem cobra para liberar empréstimo: compare o custo efetivo total (CET) e contrate só pelos canais oficiais de cada instituição.
Neste guia
Empréstimo no carnê é um crédito pessoal em que você paga as parcelas por boleto ou carnê, todo mês, sem desconto em folha e sem débito automático na conta. Costuma ser oferecido por financeiras, bancos e lojas que atuam como correspondentes, inclusive em canais online. A vantagem é a flexibilidade: não exige conta no banco que empresta nem vínculo com empregador ou INSS. A desvantagem é o preço: como não há garantia nem desconto automático, os juros tendem a ser mais altos que os de outras modalidades.
Como funciona o empréstimo no carnê
O roteiro é parecido com o de qualquer crédito pessoal:
- Pedido e análise. Você informa dados pessoais e de renda. A instituição consulta seu histórico de crédito e decide se aprova, quanto empresta e a que taxa.
- Proposta. Antes de assinar, a instituição deve apresentar o valor liberado, o número e o valor das parcelas, a taxa de juros e o Custo Efetivo Total (CET).
- Liberação. O dinheiro cai na sua conta, em geral por transferência ou Pix, em nome da instituição.
- Pagamento. Você recebe o carnê impresso ou os boletos digitais e paga uma parcela por mês, em qualquer banco, aplicativo ou lotérica.
A diferença em relação a outras modalidades está no último passo. No consignado, a parcela é descontada antes de o salário ou o benefício chegar. No débito em conta, o banco puxa o valor no vencimento. No carnê, o pagamento depende de você, todo mês. Para a instituição, isso significa mais risco de atraso; para você, significa mais controle, mas também mais responsabilidade.
Quem oferece
O empréstimo no carnê aparece em três tipos de lugar:
- Financeiras, as sociedades de crédito, financiamento e investimento, que são instituições autorizadas pelo Banco Central e têm no crédito pessoal um dos principais produtos.
- Bancos e plataformas digitais que oferecem crédito pessoal com pagamento por boleto como alternativa ao débito em conta.
- Lojas e redes de varejo, que muitas vezes atuam como correspondentes de uma financeira. Nesse caso, quem concede o crédito é a instituição financeira, não a loja, e o nome dela deve aparecer no contrato.
Esta matéria não recomenda nenhuma empresa. O que importa é saber conferir qualquer uma delas, como mostrado mais abaixo.
Por que os juros tendem a ser mais altos
O preço de um empréstimo reflete o risco que a instituição corre de não receber. No empréstimo no carnê, três fatores elevam esse risco:
- Sem garantia. Se a dívida não for paga, não há carro, imóvel ou salário vinculado para cobrir o prejuízo. Veja como os bancos avaliam o empréstimo sem garantia.
- Sem desconto automático. O pagamento depende de o cliente lembrar e ter o dinheiro no vencimento.
- Perfil de quem procura. Parte do público recorre ao carnê por não ter acesso a linhas mais baratas, como consignado ou crédito com garantia, o que a instituição precifica.
A tabela compara, em termos gerais, as modalidades mais comuns. Os juros de cada instituição variam e devem ser conferidos caso a caso.
| Modalidade | Como paga | Garantia | Juros, em geral |
|---|---|---|---|
| Consignado | Desconto na folha ou no benefício | A própria renda | Mais baixos |
| Crédito com garantia de veículo ou imóvel | Débito ou boleto | O bem | Baixos a intermediários |
| Crédito pessoal com débito em conta | Débito automático | Nenhuma | Intermediários a altos |
| Crédito pessoal no carnê ou boleto | Boleto ou carnê | Nenhuma | Tendem a ser mais altos |
Para ter uma referência concreta, a página de taxas de juros do Banco Central publica as taxas médias cobradas por cada instituição na modalidade de crédito pessoal não consignado. Vale comparar a taxa da proposta que você recebeu com essa lista.
CET e total pago: os números que importam
A taxa de juros sozinha não mostra o preço do empréstimo. O CET soma juros, IOF, tarifas e seguros e é o único número que permite comparar ofertas diferentes. Veja como ler o CET. Na prática, faça três contas antes de assinar:
- Total pago: multiplique o valor da parcela pelo número de parcelas.
- Custo do crédito: subtraia do total pago o valor que efetivamente cai na sua conta.
- Peso no orçamento: veja quanto da sua renda mensal a parcela vai ocupar, considerando as outras contas fixas.
Atenção às tarifas. O Superior Tribunal de Justiça já definiu (Súmula 565) que a Tarifa de Emissão de Carnê (TEC) e a Tarifa de Abertura de Crédito (TAC), ou cobranças com outro nome para o mesmo fato, só eram válidas em contratos anteriores a 30 de abril de 2008. Hoje, a cobrança por emitir o carnê não tem respaldo. A tarifa de cadastro é permitida, mas só no início do relacionamento com a instituição. Seguro prestamista é opcional e não pode ser imposto como condição para liberar o dinheiro.
Como verificar se a instituição é confiável
- Autorização do Banco Central. Procure o nome e o CNPJ na consulta de instituições autorizadas do Banco Central. Se quem oferece é um correspondente, ele deve informar para qual instituição trabalha, e é essa instituição que precisa estar na lista. Veja o passo a passo para conferir o registro de uma financeira.
- Contrato com o nome da instituição. O CNPJ no contrato, no boleto e na conta que envia o dinheiro deve ser o mesmo.
- Beneficiário do boleto. Antes de pagar cada parcela, confira se o beneficiário mostrado no aplicativo do banco é a instituição credora.
- Histórico de reclamações. Pesquise a empresa no consumidor.gov.br e veja como ela responde.
- Canais oficiais. Prefira entrar em contato pelo site ou aplicativo oficial, digitado por você, em vez de links recebidos por mensagem.
Golpes do falso empréstimo no carnê
O carnê e o boleto são usados com frequência em golpes. Os padrões mais comuns:
- Pagamento antecipado. A "financeira" aprova o crédito e pede um depósito para taxa, seguro, cadastro ou "primeira parcela" antes de liberar o dinheiro. Isso é golpe: instituição séria desconta custos do valor liberado ou os inclui nas parcelas, nunca cobra antes.
- Promessa de aprovação garantida para negativados, sem análise. Nenhuma instituição séria promete isso.
- Boleto adulterado. O código de barras é trocado, e o pagamento vai para outra conta. Confira sempre o beneficiário antes de confirmar.
- Perfil falso em rede social ou aplicativo de mensagens usando nome e logotipo de empresa conhecida.
Se cair em um golpe, registre boletim de ocorrência, avise o seu banco imediatamente para tentar o bloqueio dos valores e, se o pagamento foi por Pix, peça a abertura do Mecanismo Especial de Devolução.
Quando vale evitar
O empréstimo no carnê pode resolver uma emergência pontual, mas fica perigoso quando é usado para pagar contas do dia a dia de forma recorrente ou para quitar outro empréstimo caro. Se as parcelas já tomam boa parte da renda e a conta não fecha, procure renegociar com os credores ou conheça os mecanismos da Lei do Superendividamento, que permite pedir um plano de pagamento preservando o mínimo para as despesas básicas.
Perguntas frequentes
O que é empréstimo no carnê?
É um crédito pessoal pago por carnê ou boleto, mês a mês, sem desconto em folha e sem débito automático. Pode ser contratado em financeiras, bancos, plataformas digitais e lojas que atuam como correspondentes.
Por que os juros do empréstimo no carnê são mais altos?
Porque não há garantia nem desconto automático, o que aumenta o risco de atraso para a instituição. Compare sempre o CET e o total pago com outras modalidades.
A financeira pode cobrar tarifa pela emissão do carnê?
Não em contratos atuais. Pela Súmula 565 do STJ, a Tarifa de Emissão de Carnê só era válida em contratos anteriores a 30 de abril de 2008. Se encontrar essa cobrança, questione a instituição e, se preciso, reclame no consumidor.gov.br ou no Procon.
Pediram um depósito para liberar o empréstimo. É normal?
Não. Pedido de pagamento antecipado para liberar crédito é golpe. Não faça o depósito e confira se a empresa é autorizada pelo Banco Central.
Como saber se a empresa do carnê é autorizada?
Procure o nome e o CNPJ na consulta de instituições do Banco Central. Se for um correspondente, ele deve informar a instituição para quem trabalha, e o CNPJ dela deve aparecer no contrato e nos boletos.
Fontes consultadas
- página de taxas de juros do Banco Central www.bcb.gov.br
- consulta de instituições autorizadas do Banco Central www.bcb.gov.br
- consumidor.gov.br www.consumidor.gov.br



