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Empréstimo na conta de luz: como funciona, o que a ANEEL diz e os cuidados

A parcela vem junto com a fatura de energia, mas quem empresta é uma financeira parceira da distribuidora. Veja as regras, os custos e o que conferir antes de assinar.

M&CPor Redação Mercado & Crédito
Medidores de energia elétrica instalados na parede externa de uma casa

Conteúdo educativo. O Mercado & Crédito não oferece crédito nem cobra para liberar empréstimo: compare o custo efetivo total (CET) e contrate só pelos canais oficiais de cada instituição.

Neste guia
  1. Como funciona o empréstimo na fatura de energia
  2. Quem oferece varia conforme a distribuidora
  3. Se a parcela atrasar, a luz pode ser cortada?
  4. Quanto custa: compare pelo CET
  5. Como checar se a oferta é legítima
  6. Quando faz sentido e quando é melhor evitar
  7. Se algo der errado

O empréstimo na conta de luz é um crédito pessoal concedido por uma financeira que tem convênio com a distribuidora de energia: o dinheiro é depositado na sua conta e as parcelas passam a ser cobradas dentro da fatura de luz, mês a mês. A distribuidora não empresta nada; ela apenas arrecada a parcela em nome da financeira. Pelas regras da Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL), essa cobrança só pode entrar na fatura com a sua autorização, pode ser cancelada a qualquer momento e, sozinha, não autoriza o corte de energia. O cuidado está no custo, que precisa ser comparado pelo CET, e na fatura única, que mistura a energia com a dívida.

Como funciona o empréstimo na fatura de energia

A Resolução Normativa nº 1.000/2021 da ANEEL trata a "arrecadação de convênios ou valores por meio da fatura de energia elétrica" como uma atividade acessória da distribuidora. Na prática, o caminho costuma ser este:

  1. Pedido: você procura a financeira (site, aplicativo, loja ou correspondente) e informa seus dados e os da unidade consumidora que aparecem na conta de luz.
  2. Análise: a financeira avalia o seu crédito. A conta de luz é só o canal de cobrança; ela não garante aprovação.
  3. Contrato e autorização: se a proposta for aprovada, você assina o contrato e autoriza a inclusão das parcelas na fatura. A regra exige que essa solicitação seja formalizada por escrito ou por outro meio que permita comprovação.
  4. Depósito: o valor contratado é creditado na sua conta bancária.
  5. Cobrança: nas faturas seguintes, a parcela aparece identificada e discriminada, com o telefone de contato da empresa responsável, como determina a norma.

A autorização precisa partir do consumidor titular da conta de luz ou do cônjuge ou companheiro cadastrado na distribuidora. Se a conta está no nome de outra pessoa, como o dono do imóvel alugado, é dela a decisão, porque a parcela vai aparecer na fatura daquele endereço.

Quem oferece varia conforme a distribuidora

Não existe um programa nacional. Cada distribuidora decide se mantém convênios de arrecadação e com quais empresas, e a ANEEL exige que ela tenha uma norma interna com critérios objetivos e iguais para todos os interessados. Por isso, em uma região a modalidade pode existir com uma ou mais financeiras e, em outra, não existir. Em julho de 2026, por exemplo, a imprensa do Ceará descreveu uma oferta local com valores de R$ 1.000 a R$ 7.000 em até 24 parcelas; condições assim mudam de empresa para empresa e com o tempo.

Antes de qualquer coisa, confirme nos canais oficiais da sua distribuidora (site, aplicativo ou central de atendimento) se há convênio e com qual empresa. Golpistas usam o nome e o logotipo de distribuidoras em anúncios e mensagens para oferecer crédito que não existe.

Se a parcela atrasar, a luz pode ser cortada?

Não por causa da parcela. A REN 1.000/2021 diz expressamente que a distribuidora não pode suspender o fornecimento de energia pelo não pagamento das cobranças de atividades acessórias, e é nessa categoria que entra a arrecadação para terceiros. O corte só pode acontecer se, depois de notificado, o consumidor deixar de pagar os valores da energia. Nos casos de inadimplência, a notificação precisa chegar com pelo menos 15 dias de antecedência.

A armadilha é a fatura única. Se você deixa a conta inteira sem pagar porque o valor total pesou, a parte da energia também fica em aberto, e aí o corte passa a ser possível pelas regras gerais. A norma permite que a distribuidora ofereça a opção de pagar a fatura com ou sem os valores de terceiros, e garante o cancelamento da cobrança a qualquer tempo; se a fatura reclamada ainda não foi paga, a distribuidora deve emitir uma nova, com vencimento de pelo menos cinco dias úteis, sem custo para você.

SituaçãoO que diz a regra da ANEEL
Pagou a energia, mas não a parcelaA distribuidora não pode cortar a luz por isso. A dívida com a financeira continua e pode ser cobrada por outros meios.
Não pagou a fatura inteiraA parte da energia ficou em aberto: o corte é possível após notificação com pelo menos 15 dias de antecedência.
Parcela cobrada sem autorizaçãoDireito à devolução em dobro do que foi pago a mais, com correção pelo IPCA e juros de 1% ao mês.
Quer tirar a parcela da faturaBasta pedir o cancelamento à distribuidora, sem precisar de aval da financeira.
Atraso na conta com a parcela incluídaMulta e juros de mora da distribuidora não incidem sobre os valores de terceiros (a financeira aplica os encargos do contrato).

Um ponto importante: cancelar a cobrança na fatura não cancela o empréstimo. A financeira continua credora e vai cobrar o saldo por boleto ou outro meio previsto no contrato, com os encargos de atraso combinados e a possibilidade de negativação.

Quanto custa: compare pelo CET

As taxas variam por empresa e por perfil de cliente, e não há tabela pública única para essa modalidade. O que existe é a obrigação de informar o Custo Efetivo Total (CET) antes da contratação, com o demonstrativo do cálculo, prevista na Resolução CMN nº 4.881/2020. O CET reúne juros, tarifas, seguros e impostos em uma única taxa anual, e é por ele que se compara uma oferta com outra.

Uma referência útil é a média do mercado. Segundo as estatísticas de crédito do Banco Central, a taxa média de juros do crédito pessoal não consignado ficou em 6,39% ao mês (110,22% ao ano) em agosto de 2026, dado mais recente disponível em outubro de 2026. Se a proposta na conta de luz vier bem acima disso, vale procurar outras opções. O passo a passo para fazer essa conta está em como comparar taxas e o CET do empréstimo pessoal.

Faça também a conta simples: valor da parcela multiplicado pelo número de parcelas. A diferença entre esse total e o dinheiro que cai na sua conta é o preço do empréstimo.

Como checar se a oferta é legítima

  • Confirme o convênio na distribuidora, pelos canais oficiais, e não pelo contato que chegou até você.
  • Confira a financeira no Banco Central: a ferramenta Encontre uma instituição mostra se a empresa é autorizada. Compare o CNPJ do contrato com o do cadastro. Veja também como conferir o registro de uma financeira.
  • Nunca pague nada antes de receber. Pedido de depósito, "taxa de liberação" ou "seguro antecipado" para soltar o crédito é golpe.
  • Leia o contrato antes de autorizar: número de parcelas, valor de cada uma, CET, encargos por atraso e como funciona a cobrança se a parcela sair da fatura.
  • Depois de contratar, a operação deve aparecer no relatório de empréstimos do Registrato, serviço gratuito do Banco Central.

Quando faz sentido e quando é melhor evitar

A modalidade pode ser uma alternativa para quem tem a conta de luz no próprio nome, não tem acesso a linhas mais baratas e comparou o CET com outras ofertas. Ela tende a ser má ideia quando a parcela aperta o orçamento a ponto de ameaçar o pagamento da própria energia, quando há acesso a crédito consignado (em geral com juros menores) ou quando já existem contas de luz atrasadas. Nesse último caso, o primeiro passo é renegociar a dívida de luz com a distribuidora, e não somar uma nova parcela à mesma fatura.

Se algo der errado

Se aparecer na fatura uma cobrança que você não reconhece, peça o cancelamento à distribuidora e anote o protocolo. Sem solução, procure a ouvidoria da empresa e, depois, a ANEEL, pelo telefone 167 ou pelo canal Reclame da distribuidora. Problemas com o contrato do empréstimo vão para a financeira, para o Banco Central, para o Procon ou para o consumidor.gov.br.

Perguntas frequentes

A distribuidora de energia é quem empresta o dinheiro?

Não. Quem concede o crédito é uma financeira com convênio com a distribuidora. A distribuidora só arrecada a parcela na fatura, com autorização do titular da conta.

Se eu não pagar a parcela, a luz é cortada?

Pela Resolução Normativa nº 1.000/2021 da ANEEL, a distribuidora não pode cortar a energia por falta de pagamento de cobranças de terceiros. O corte só pode ocorrer se a parte da energia ficar sem pagamento, após notificação. A dívida com a financeira continua existindo.

Posso tirar a parcela da conta de luz?

Sim. O consumidor pode pedir à distribuidora o cancelamento da cobrança na fatura a qualquer momento, sem aval da financeira. O empréstimo, porém, continua e passa a ser cobrado por outro meio.

Quem mora de aluguel pode contratar?

A autorização precisa vir do titular da conta de luz (ou do cônjuge ou companheiro cadastrado). Se a conta está no nome do proprietário, a decisão é dele.

Como saber se a oferta é golpe?

Confirme o convênio nos canais oficiais da distribuidora, confira a financeira no Banco Central e desconfie de qualquer pedido de pagamento antecipado para liberar o crédito: isso é golpe.

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