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Empréstimos

Financeira: o que é, como difere de banco e fintech e como checar se é autorizada

Banco, financeira, fintech de crédito e correspondente bancário não são a mesma coisa. Entenda as diferenças e aprenda a confirmar, em poucos passos, se a empresa pode emprestar.

M&CPor Redação Mercado & Crédito
Mesa de escritório com notebook, planta e um documento de contrato

Conteúdo educativo. O Mercado & Crédito não oferece crédito nem cobra para liberar empréstimo: compare o custo efetivo total (CET) e contrate só pelos canais oficiais de cada instituição.

Neste guia
  1. Quem pode emprestar dinheiro
  2. Como checar no site do Banco Central
  3. Sinais de alerta
  4. Se a empresa não for autorizada
  5. Financeira ou banco: qual escolher?

Financeira é o nome popular da sociedade de crédito, financiamento e investimento (SCFI), uma instituição autorizada pelo Banco Central a conceder empréstimos e financiamentos, mas que não oferece conta corrente como um banco. Para saber se uma empresa que oferece crédito é autorizada, basta procurá-la pelo nome ou CNPJ na ferramenta Encontre uma instituição, no site do Banco Central. Se ela não aparecer ali, nem como instituição nem como representante de uma, não deve receber seus dados nem seu dinheiro.

Quem pode emprestar dinheiro

No dia a dia, "financeira" virou sinônimo de qualquer empresa que empresta. Mas o sistema financeiro tem tipos diferentes de instituição, com regras próprias:

TipoO que éComo identificar
BancoOferece conta, recebe depósitos, empresta e presta outros serviços.Aparece no cadastro do Banco Central como banco múltiplo, comercial ou similar.
Financeira (SCFI)Concede crédito pessoal, financiamento de bens e crédito direto ao consumidor; não oferece conta corrente.O nome oficial costuma trazer "Crédito, Financiamento e Investimento".
Sociedade de Crédito Direto (SCD)Fintech que empresta exclusivamente por plataforma eletrônica, com recursos próprios ou fontes previstas na regra.A expressão "Sociedade de Crédito Direto" deve constar na denominação.
Sociedade de Empréstimo entre Pessoas (SEP)Plataforma que conecta quem quer emprestar a quem quer tomar crédito; não pode emprestar com recursos próprios.Também registrada no Banco Central, com a denominação do tipo.
Cooperativa de créditoInstituição dos próprios associados, que oferece conta e crédito a quem é cooperado.Cadastro no Banco Central como cooperativa.
Correspondente bancárioEmpresa contratada por uma instituição para atender clientes em nome dela (lojas, promotoras, plataformas).Não é instituição financeira: confira a instituição que ele representa.

As fintechs de crédito (SCD e SEP) são reguladas pela Resolução CMN nº 5.050/2022. Os correspondentes seguem a Resolução CMN nº 4.935/2021, segundo a qual a instituição contratante responde integralmente pelo atendimento feito pelo correspondente.

O que o correspondente pode e não pode fazer

O correspondente apresenta a proposta, coleta documentos e encaminha o pedido, mas o crédito é da instituição contratante. A regra proíbe o correspondente de cobrar, em benefício próprio, qualquer valor relacionado aos produtos da instituição, e de adiantar dinheiro ao cliente por conta do empréstimo. Também é vedado à instituição cobrar do cliente atendido pelo correspondente tarifa, comissão ou outra remuneração fora da tabela oficial de tarifas. Ou seja: se a "promotora" pede um Pix para ela mesma antes de liberar o crédito, há algo errado.

Como checar no site do Banco Central

  1. Pegue os dados certos: nome completo da empresa (razão social, não só o nome fantasia) e CNPJ. Eles devem aparecer no site, no aplicativo e no contrato.
  2. Consulte o cadastro: acesse o Encontre uma instituição e pesquise pelo nome ou pelo segmento (bancos, financeiras, sociedades de crédito direto e outros).
  3. Compare o CNPJ: golpistas usam nomes parecidos com os de empresas reais. O CNPJ do cadastro precisa ser o mesmo do contrato e da conta que vai receber os pagamentos.
  4. Se for correspondente: pergunte qual instituição ele representa, confira essa instituição no Banco Central e confirme com ela, pelos canais oficiais, se o correspondente é mesmo contratado.
  5. Veja a reputação: consulte o ranking de reclamações do Banco Central, o consumidor.gov.br e o Procon do seu estado.

Há um guia detalhado, com telas e cuidados, em como conferir o registro de uma financeira no Banco Central.

Sinais de alerta

  • Pedido de pagamento antecipado para liberar o crédito, com qualquer nome: taxa de cadastro, seguro, IOF, depósito de garantia. É golpe.
  • Pix para pessoa física ou para uma empresa com nome diferente do da instituição.
  • Empresa que não aparece no Banco Central ou cujo CNPJ não bate com o cadastro.
  • Promessa de aprovação garantida, inclusive para negativados, sem nenhuma análise.
  • Contato só por aplicativo de mensagem ou rede social, com pressa e pressão para fechar.
  • Pedido de senha, código de verificação ou acesso remoto ao seu celular.
  • Ausência de contrato e de CET antes da assinatura. A Resolução CMN nº 4.881/2020 obriga a instituição a informar o Custo Efetivo Total e entregar o demonstrativo do cálculo antes da contratação.

Os golpes mais comuns em ofertas por mensagem e redes sociais estão em empréstimo via Pix: o que é verdade e o que é golpe.

Se a empresa não for autorizada

Emprestar dinheiro ao público como atividade é coisa de instituição autorizada. Se a empresa não aparece no cadastro do Banco Central e também não demonstra ser correspondente de uma instituição que aparece, interrompa a conversa: não envie documentos, fotos, selfies nem dados bancários, e não faça nenhum pagamento. Se você já enviou dados, acompanhe o Registrato, serviço gratuito do Banco Central que lista os empréstimos registrados no seu CPF, para descobrir se alguém contratou crédito em seu nome. Se já pagou alguma "taxa" por Pix, peça a devolução por fraude ao seu banco o quanto antes e registre um boletim de ocorrência. Também vale avisar o Banco Central e o Procon, com prints do anúncio, o nome usado pela empresa e a chave Pix ou conta informada, para que outras pessoas não caiam na mesma oferta.

Financeira ou banco: qual escolher?

O tipo de instituição, sozinho, não diz se o crédito é caro ou barato. Financeiras costumam atender perfis que os bancos recusam, o que pode significar juros mais altos, mas a única forma de saber é comparar o CET das propostas para o mesmo valor e prazo. O Banco Central publica as taxas de juros médias por instituição em cada modalidade, o que ajuda a ter uma referência antes de negociar. O método completo está em como comparar taxas e o CET do empréstimo pessoal.

Se você já tem uma dívida com uma financeira e está com dificuldade de pagar, veja como renegociar dívida com financeira.

Perguntas frequentes

Financeira é a mesma coisa que banco?

Não. A financeira (sociedade de crédito, financiamento e investimento) concede empréstimos e financiamentos, mas não oferece conta corrente. As duas precisam de autorização do Banco Central.

Como saber se uma financeira é autorizada pelo Banco Central?

Pesquise o nome ou o CNPJ na ferramenta Encontre uma instituição, no site do Banco Central, e confira se o CNPJ é o mesmo do contrato.

Correspondente bancário pode cobrar taxa para liberar empréstimo?

Não. A Resolução CMN nº 4.935/2021 proíbe o correspondente de cobrar em benefício próprio valores ligados aos produtos da instituição que representa. Pedido de pagamento antecipado é sinal de golpe.

Fintech de crédito é segura?

Fintechs de crédito autorizadas, como as sociedades de crédito direto (SCD), são reguladas pelo Banco Central. Confira sempre o cadastro antes de contratar.

Onde reclamar de uma financeira?

Primeiro na própria empresa e na ouvidoria dela. Depois, no Banco Central, no Procon ou no consumidor.gov.br.

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